Costa Sudoeste: um dos poucos lugares onde cegonhas constroem ninhos nos penhascos costeiros

Por mais de 130 km, entre o porto petrolífero de Sinos, no Alentejo, e o vilarejo de Burgau, no Algarve, estende-se um dos mais selvagens e espetaculares trechos de litoral da península Ibérica. Penhascos rochosos íngremes, geralmente recobertos por rica vegetação de dunas formadas pela areia acumulada pelo vento, são intercalados por enseadas isoladas, por onde riachos abriram caminho até o oceano.

Essas características geológicas criaram uma variedade de habitais para pássaros, ao lado de locais ricos em alimentos para as espécies.

O principal interesse do parque natural que protege o ponto de encontro entre a terra e o mar é o cabo de São Vicente, no extremo sudoeste de Portugal – onde “termina” a Europa continental e durante séculos considerado o limite do inundo.

Os penhascos, com 80 m de altura, açoitados pelas ondas raivosas do oceano Atlântico, foram esculpidos, transformando-se numa série de promontórios recortados e rochedos litorâneos, recobertos por calcário no qual vicejam plantas únicas, como a do gênero Salla.

Um pouco a leste fica a ponta de Sagres, o “Promontório Sagrado” dos romanos – importantíssima na história do Império Português. Em 1394, no vilarejo de Sagres, foi fundada uma escola de navegação, da qual saíram viagens de descobrimentos patrocinadas à ilha da Madeira e para toda a costa ocidental da África.

Além de ser um dos poucos lugares da Europa onde lontras se alimentam no oceano, o parque abriga diversas aves, com mais de 200 espécies catalogadas na região. A planície rochosa e estéril do interior de Sagres é frequentada por pássaros como alcaravões, sisões e petinhas-dos-campos; os habitais de arbustos abrigam toutinegras-tomilheiras e de-bigodes.

O parque também fica em uma das principais rotas usadas por espécies migratórias transaarianas, especialmente pássaros canoros e “planadores”; no outono, é possível se avistar, voando sobre o cabo de São Vicente, a maioria das espécies europeias de aves de rapina. A melhor época para se visitar a costa Sudoeste é de maio a setembro, quando a temperatura é agradável. As amendoeiras da região florescem na primavera.