Mônaco: um detalhe que a torna diferente de qualquer outro lugar no mundo

Durante o passeio em Mônaco, avistamos, ao longe, um detalhe diferente de qualquer outro lugar no mundo. Havia pedras recortadas em forma retangular, como grandes paralelepípedos dentro d’ água, provavelmente para proteger em caso de ressaca, e as pessoas esticavam-se ali como “lagartixas”, bronzeando-se ao sol. Raquel e eu resolvemos ir até a última pedra e dali ficamos apreciando a cidade cercada por altas montanhas.

Era uma bela paisagem. De acordo com o costume local, ficamos apenas com traje de banho e, nos recostamos, desfrutando o mormaço. Pouco depois, encontramos duas escocesas que davam dó, pois estavam muito vermelhas e, como o sol não estava tão forte, perguntamos como haviam se queimado tanto.

– Não foi aqui. Estávamos esquiando em Innsbruck – responderam, como se fosse a coisa mais simples deste mundo.

Porém, para mim, aquela informação caiu como uma bomba e bastante ansioso, perguntei:

— Como assim? Estavam esquiando? Na neve?

– Sim, perto de Innsbruck, na Áustria, há uma pista aberta durante o verão. São as neves eternas.

Quase imediatamente, peguei o meu caderno na minha bolsa de máquinas fotográficas e pedi que escrevessem ali o nome do lugar. Depois, fiquei imaginando matar em breve essa vontade, que há muito tempo me acompanhava. Parecia um sonho…

Sentimos fome e decidimos sair para comer. As escocesas disseram que havia um restaurante que tinha umas saladas muito boas, próximo ao cassino. Fazia tempo que não comia algo que fosse tão nutritivo, então aceitei a proposta de pronto e Raquel também.

Escolhemos as saladas, que estavam lindas e aparentemente saudáveis. Vinham numa caixinha plástica transparente própria para viagem. Dali, passamos num mercado e compramos vinho. Na verdade, não era das melhores combinações, porém ali tudo era festa. Resolvemos comer mais para cima do morro, perto do cassino.

Entretanto, houve dois lapsos quase absurdos: ninguém lembrou de pegar talheres e copos e a cena de quatro mochileiros fazendo um lanche próximo ao cassino transformou-se na comédia de quatro maltrapilhos vendo Ferraris, Rolls-Royces e Mercedes-Benzs passando, comendo salada com a mão, bebendo vinho no gargalo e rindo escancaradamente da expressão de nojo dos transeuntes.

Chegamos a colocar à frente um prato vazio com moedas dentro, como se estivéssemos pedindo esmolas. Ninguém contribuiu, mas rimos muito das caras e bocas das pessoas. Aqueles minutos de descontração, num dos lugares mais chiques de toda a Europa acabaram se transformando em uma das melhores recordações que guardei daquele principado chamado Mônaco.

Como estávamos perto, tentamos entrar no cassino, porém, vestidos daquele jeito, foi uma vitória terem nos deixado brincar por algum tempo nos caça-níqueis. Para dizer a verdade, não foi tão pouco assim. Entre tentar a sorte, olhar, jogar, perder e ganhar passou-se pelo menos uma hora. No fim, os três dólares que gastei valeram a diversão.

Saímos de lá e retornamos à praia. Raquel, que na véspera insistira, como amiga, em dar-me força para que investisse sobre ima garota, nesse momento apontava para as escocesas, que não eram de se jogar fora. No entanto, seria tempo perdido, pois estava determinado a “ficar” com minha “amiga” brasileira. Só estava esperando o momento certo. Além disso, acreditava que, se não tentasse nada com nenhuma outra garota, seria uma prova de “fidelidade”, mostrando que me sentia atraído por ela de verdade.

Pouco depois, sugeri aproveitarmos o final de tarde em Nice, proposta aceita de imediato, porém descartada pelas escocesas.